quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O que é um Homem bom- de-cama? Parte I





Mari Lúcia volta ao Salão da Manicure e já chega provocando alvoroço. Toda Black-Tie não desce do salto.
-Darling, por favor agora só me chame de Malú. Mudei meu estado civil e meu nome também.
A cabeleleira, mais arrojada com prótese de silicone, não deixa de pôr em dia o papo com
a cliente principal.
-Vem cá amiga, senta aqui, vou fazer um retoque na raíz do teu cabelo e você vai ficar show!
Agora que você tá viuvinha e só anda de Black-Tie tem que estar com o retoque do cabelo totalmente show!
-Que nada amiga, agora só no salto. Francisco Medeiros que me perdoe, ele que queime no fogo do inferno, agora posso usar meus vestidinhos à vontade, sem cão-de-guarda me vigiando da janela do apartamento. Cruzes, ninguém merece uma sombra dessa, né não, darling?
-Ah eu ainda lembro daquela história de quando você foi na perfumaria da esquina, a São Francisco, e ele estava te vigiando da janela do apartamento. Pancadão, né não? Eu já percebia por aqueles poeminhas ordinários que ele escrevia. Cada coisa horrorosa, né? Ele viajava na maionese. E o dia que ele fez um slogan para o meu salão. Eu falei: Ochê! Tá me estranhando?! Tua mulher é minha cliente, rapá. Meu papo é visual. Gosto de fotografia.
-Ahahah, jura que ele mandou poema pra você também?! Ele mandava poema pra qualquer cadela. Até pra síndica do prédio, uma velha caquética e asquerosa toda costurada com fio 18
de cirurgia plástica, o passatempo dele era escrever poema nos avisos do elevador, af que traste!Nem para publicar na Revista da Manicure.
-E você estava assim lindona, toda black-tie quando foi na perfumaria?
-Má que nada, tava de chinelo, bermuda e camiseta REGATA . Com cabelo amarrado tipo rabo-de-cavalo , toda maloqueira. Pra viver naquele apê eu tinha que parecer maloqueira. Aquele cortiço de italiano. Sabe São Paulo é cheio de cortiço de italiano vertical e eles falam que são grã-fino só porque têm gás encanado. Gente cara-de-pau. Outro dia Vilminha, eu vi a Estela, aquela vizinha neurótica, passeando com um cachorro,e uma sacola de mercado debaixo do braço para catar o cocô do cachorro da calçada. Acha que Mari Lúcia, agora, Malú, vai catar cocô de cachorro na calçada? Que gente sem-noção!!! Eles falam que isso é cidadania. Cidadania o caralaéo! É falta de charme isso sim. E a Estela é tão neurótica que roe todas as unhas. Eu reparei outro dia ela passando a mão no cabelo - cheio de laquê - e se olhando no espelho do elevador. Que horrror, aquelas unhas com esmalte verde todo descascado. Não cuida nem das unhas e fica catando cocô de cachorro......
-Ah Malu a vida tem dessas coisas, ne não !
-Tem dessas e de outras também. Nem te conto, sabe aquela jornalista que tentou ressuscitar o Medeiros quando ele faleceu? Sabe? Aquela que acha que entende alguma coisa de cultura? Pois é fiquei sabendo que ela transou com uma outra só para enciumar o cafetão daquela revista que é uma bomba. Pelo amor de Deise, pintar a unha pra transar com outra mulher, é f.. Outro dia uma médica disse que só cedia entrevista se a repórter ... com ela.
-Meu pai, Malú, e você?
-Na minha lúcida lucidez, eu comecei a escutar a voz da Cassía Eller e falei assim: Doutora a Cássia está ai do teu lado. Ela não entendeu nada. Eu falei Doutora a Cássia Eller está obsediando você, o som dela até que é show, mas nesse quesito prefiro o Nando Reis. Af! Vilminha já aparece cada sapo, e ainda vêm essas sapas querendo pôr as manguinhas de fora! Pelo amor de Deise, tem cada coisa, viu?!
Além de um novo layout, com poltrona de veludo-azul, e luzes de neón vermelho na fachada, o salão da Vilminha está mais sofisticado, ela contratou um assistente de sobrenome Bardella.
Um tipo assim personal trainner, com físico de segurança de Motel e bronzeado de quem enche laje de final-de-semana. Mas o tal é agradável e faz a alegria da clientela. Serve cafezinho, não se intromete nos papos-calcinha, cuida do caixa e fica quieto, é pau-pra-toda-obra.
(continua a parte II depois)

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