sexta-feira, 1 de maio de 2009

ele é um estouro!




Francisco Medeiros perdeu o crédito.
Logo ele que sempre fez de tudo para manter o nome intacto.
Perdeu o crédito, mas ainda lhe resta a honra. Decidiu que agora vai enfrentar seus cobradores com pulso firme e preservar a fama de boa praça. Chega dessa história de ficar escondido atrás do olho mágico quando o funcionário da Eletropaulo aparece para averiguar o relógio de luz. Mari Lúcia, sua mulher, pôs um ponto final: cansou de mentiras e trapaças! Não vai mais usar a veia criativa para atender aos telefonemas da gerente do banco e inventar situações escabrosas sobre o paradeiro do marido. Agora Medeiros que se vire sozinho, ou pior, se vire com a gerente. Mari Lúcia nem liga mais se o marido é bipolar e acredita fielmente ser um rei nababo. Dane-se Medeiros. Antes de casar ele jurava que ia ser dono de cartório, seria o maior Tabelião de Notas e Ofícios de Osasco. Mas, com o andar da carruagem e o aumento dos juros do empréstimo feito para suprir seu escasso salário de funcionário público, começa a confundir Tabelião com Talião. Seu lema na hora de conferir as contas com a mulher passou a ser: “íris por íris, cárie por cárie”. Ainda era aceitável quando Francisco enxugava o exorbitante orçamento do dentista. O duro foi quando ameaçou cortar a verba da tinta de cabelo sem amônia importada da Suíça, via contrabando. Aí foi o revertério! Mari Lúcia, além da cama, decidiu separar as contas e mudar de vida. Depois de ler uma matéria sobre “Mulher e Negócios” numa revista do salão de manicure, contatou um consultor da Bovespa para lhe assessorar na empreitada. Foi o começo do fim-de-tudo. Com a mudança, Mari Lúcia começa a ler o mundo com outros olhos: vira agnóstica convicta; identifica o cinismo da família com muito mais facilidade; acha a música eletrônica o máximo; e decide que a maldita caixa de Lexotan 800 mg do marido tem que ser despejada na privada.
Francisco Medeiros, além de sem crédito é um homem sem remédio.
Mas, ainda lhe resta o delírio de manter intactos o nome no SPC, o título de rei nababo, a vérve de roqueiro e o amor de Mari Lúcia. Francisco arregaça as mangas e vai à luta. Arranja um pastor-alemão para afugentar os cobradores que batem à sua porta. E, com todo desprezo do mundo, manda a gerente do banco se danar.
Agora, Francisco é, definitivamente, um homem sem remédio, mas ainda tem nas mãos seu auto-controle. Pensa em lançar uma dinamite na Bovespa, mas num raro lampejo de lucidez, decide-se por fazer um livro.
“A Máfia das Manicures”, obra inspirada na eterna amada Mari Lúcia, vira best seller. Francisco Medeiros é um estouro!




Um comentário:

  1. Amiga eu adorei essa historia esse Francisco Medeiros é um bipolar, so porque e rock´n´roll se acha o tal , cansei de atender a gerente do banco, agora eu nao desço mais do salto, querida. Um beijo pra você!

    Mari Lúcia

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